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SALVANDO VIDAS NOS HOSPITAIS

SALVANDO VIDAS NOS HOSPITAIS
Buscar formas de reduzir o risco de morte é muito mais que uma obrigação: é um compromisso moral, existencial e filosófico. Mas, como é que um simples vereador pode por meio de uma lei conseguir algo assim tão difícil?
Vereador não pode muita coisa, não tem um milésimo do poder que a s pessoas em geral acreditam que ele tenha. Por causa do nosso sistema político e da excessiva concentração de poder no Executivo, o Legislativo é extremamente limitado quanto às suas atribuições. Digo isso não como forma de desculpa, mas como constatação da realidade.
Porém, existem sim ações que podem salvar vidas. Uma delas é a instituição obrigatória da Odontologia Hospitalar, objeto de projeto de lei que apresentei na Câmara. É bom explicar que a Odontologia Hospitalar é muito mais do que escovar e limpar de pacientes internados: é ação de preventiva que reduz infecções e diminui o tempo de internação.
Em 2011, o atleta americano Laurence Scott Young, que jogava basquete pela Seleção Santista e pelo Internacional, morreu por causa de endocardite bacteriana. O fato levou a Câmara aprovar lei de minha autoria que exige que os atletas que recebem benefícios financeiros do Município apresentem anualmente um atestado de saúde bucal.
Nossa cavidade bucal (a boca) é habituada por bactérias que podem invadir a corrente sanguínea e provocar uma serie de doenças graves, desde pneumonia até danos à válvula cardíaca e, obviamente, infartos. Sem falar da sepse (infecção generalizada), infecções digestivas e respiratórias, infecções oportunistas, abcessos, periodontites e outras. A conclusão, é óbvia: O doente pode ter seu quadro bastante agravado, prolongado o tempo de internação em doze dias em média, aumentando os gastos com antibióticos e permanência. Em consequência, a rotatividade de leitos é menor.
A ventilação mecânica (entubação) aplicada a pacientes nas UTIs raramente é acompanhada dos cuidados com a Saúde Bucal. A presença de um Cirurgião-Dentista nos hospitais, tanto na terapia intensiva quanto na área pré e pós-natal, pode reduzir em muito os riscos. Alguns hospitais que contam com a Odontologia Hospitalar, por exemplo, reduziram a zero o número de pneumonias associadas a entubação.
A laser terapia bucal reduz significativamente as mucosites e fendas na boca, permitindo que o paciente se alimente melhor. Alias, a presença do Cirurgião-Dentista e a equipe auxiliar no âmbito hospitalar tem mostrado significativa redução no nível de infecções sistêmicas de origem bucal.
Um esclarecimento: os profissionais de Odontologia, para atuarem em hospitais, precisam ter a necessária habitação na área, para que tenham pleno conhecimento dos cuidados adequados. O Conselho Federal de Odontologia, aliás, já reconheceu a Odontologia Hospitalar como habilitação oficial.
Por tudo isso é que considero de suma importância a aprovação do projeto em tramitação. Trata-se de medida que não deve ser considerada como gasto pelos gestores. Mas, como investimento e medida que não deve ser considerada como investimento e medida imprescindível. Pois estaremos sim salvando vidas. Não estamos falando de uma espécie de reserva de mercado ou corporativismo, como podem argumentar. Mas, de uma luta para beneficiar toda a população.
Recentemente realizamos uma audiência pública na Câmara de Santos, com a presença de diversos especialistas e de cardiologistas. A conclusão geral foi esta: o projeto precisa ser aprovado pelo bem da população.
FONTE: Materia do dia 05/06/2018 - TRIBUNA LIVRE/ SP
Autor : Manoel Braz Antunes Matos Neto (Cirurgião-Dentista vereador em Santos)
 

 

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